foi adicionado ao seu carrinho.

Direto da Bica

Como degustar um bom café

By 3 de Maio de 2016 No Comments

A próxima vez que você tomar seu cafezinho de todo dia, deguste-o. O Café é bastante complexo, quimicamente e fisicamente: o grão torrado pode chegar a ter em torno de 1500 componentes aromáticos e sensoriais. Pra você ter uma idéia, o vinho, tão venerado por degustadores (alguns até chegam a ser bem chatos com isso), pode ter até 400 desses componentes. Ou seja, o sabor do café é bem mais complexo que o do vinho. Merece sua degustação agora, né?

Degustar, como vocês já devem saber por ter ido a uma degustação de vinho, envolve mais que apenas provar. Envolve ver, cheirar, sentir, e finalmente saborear.  

Olhe pro café. Veja como a bebida está se comportando. Se for um espresso, repare na crema (aquela camada que fica no topo do espresso). De que cor é? As marrons-carameladas são as ideais. Tá consistente? Se for um coado, repare na cor. Café coado de qualidade nunca é preto, é de um castanho meio avermelhado. Não, isso não significa que o café tá fraco – aliás, se for preto, ou é sinal que o café foi torrado demais, ou que foi usado muito pó pra pouca água. Preste atenção nessas coisas, e como elas influenciam o sabor.

Sinta o café. Quebre a crema com a colher. Sinta o café preencher sua língua, sua boca. Sinta o corpo dele, movimente o líquido dentro da boca. Ele “enche” sua boca? Espresso normalmente tem um corpo mais expressivo, por ser feito sob pressão, e dá aquela sensação de “cobrir” a língua. E métodos como a prensa francesa dão bebidas bem leves, com corpo quase imperceptível.  Espresso e coado feitos corretamente não chegam pelando ao balcão. Temperaturas muito altas destroem o corpo da bebida.

Cheire o café. Cheire o grão moído, seco. Cheire ele depois de úmido. Você provavelmente vai sentir algumas coisas mais óbvias (castanhas, chocolate, etc), e outras nem tanto (carne assada, margaridas, algo que te remeta à infância).  O que você não deve cheirar: queimado, carvão, solo. Isso é sinal de café torrado acima da média, ou de grão velho.

Prove o café. Nós conseguimos provar o doce, salgado, amargo e ácido. Todas as nossas papilas gustativas estão treinadas a perceber esses sabores. Acidez em café é desejada. Não to falando de acidez dessas de alimentos “ácidos”, que nos dão azia, mas da acidez que representa o “frescor” de um grão. A acidez diminui à medida que o ponto de torra aumenta. Por isso, torras claras geralmente apresentam café mais ácidos (no bom sentido). Uma analogia é o gás carbônico em refrigerantes. Nós queremos um café com acidez da mesma maneira que queremos um refrigerante com gás. Da mesma maneira, não queremos um refri com muito gás. E é esse o papel do torrador de café – achar o ponto de equilíbrio pra expressar a acidez ideal pra quele grão. Entendeu?

Author Nós, da BICA

Juliana, nossa fundadora, é engenheira, mestre, campeã de truco, alquimista de gin tônica, e muitas outras coisas. Mas o que ela é mesmo é apaixonada por café. Depois de passar por cursos e práticas de barismo, torra, degustação e ciência do espresso na Counter Culture (Washington DC), Joe (NYC), Intelligentsia (Chicago), La Colombe (Filadelfia), Four Barrel (San Francisco), Coffee Collective (Copenhagen), Lot Sixty One (Amsterdã), Five Elephant (Berlim); tomou coragem e decidiu largar tudo pra se dedicar a sua paixão. 

More posts by Nós, da BICA