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Direto da Bica

Are you a coffee snob?

Por 29 de setembro de 2016 Deixe um comentário

Tendo visitado muitos cafés mundo afora (principalmente nos EUA), e ultimamente no Brasil também, sempre notei que é comum em muitos deles colocar notas sensoriais nas embalagens de café, ou propagá-las ao fazer propaganda de certo café. Muitas vezes ouvi coisas estapafúrdias, como que o café tinha o gosto de melancia – mas não a melancia como estamos acostumados a comer, mas a  ~~ parte branca da casca da melancia ~~. Por favor. Primeiro, quem come a parte branca da casca da melancia?  Segundo, e não é que o café não tinha a tal nota de melancia? Me explico: neste cupping, feito em uma torrefação super “cool” de San Francisco, o instrutor nos havia avisado antes de provar aquele café, que ele teria notas de melancia (da fruta, da parte vermelha, como nós humanos estamos acostumados a saborear). Um dos participantes, notavelmente entusiasmado, logo após provar exclamou que realmente, claro, tinha notas de melancia – porém a parte branquinha, azeda, de perto da casca (…). Imaginem como ele ficou sem graça ao ouvir o instrutor logo depois pedir desculpas pois o café que tínhamos provado não era o tal da melancia. Que alívio pra mim, que apesar de já ter provado muito café nessa vida, não cheguei nem perto de achar notas de melancia naquele café, quanto mais da parte BRANCA do fruto preferido da nossa querida Magali.

O meu ponto aqui é simples: o café especial é um produto que já não tem penetração muito alta no mercado, por sua cultura ser menos difundida, por ser relativamente mais caro que o café de supermercado, e por ter gente do meio que complica a relação com a bebida. Isso provoca um constrangimento desnecessário em quem não está acostumado a provar, e automaticamente afasta quem poderia ser um futuro consumidor. Muita afetação acaba por criar um nicho isolado, criticado e solitário na indústria.

Daí entramos nós, torradores e apreciadores de bons cafés: cabe a nós traduzir o que o consumidor fora do nosso meio entende por um bom café, e entregar um produto que corresponda às expectativas dele – sem sair do nosso compromisso com técnica e qualidade. Vamos contribuir para um mundo com cafés com mais sabor e menos afetação, e com democratização do acesso a cafés especiais.

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* EM TEMPO:  eu não duvido que aquele rapaz tenha realmente sentido o gosto da parte branca da melancia. Gosto é muito subjetivo. Eu já senti gosto de carne de panela que a minha vó fazia em um café que provei. A questão discutida aqui é: o quanto realmente isso importa para quem não é do meio? Devemos necessariamente impor o que o outro deve sentir ao provar nosso café? Nós, da BICA, acreditamos que não.

Bons cafés! =)

Escrito por Nós, da BICA

Juliana, nossa fundadora, é engenheira, mestre, campeã de truco, alquimista de gin tônica, e muitas outras coisas. Mas o que ela é mesmo é apaixonada por café. Depois de passar por cursos e práticas de barismo, torra, degustação e ciência do espresso na Counter Culture (Washington DC), Joe (NYC), Intelligentsia (Chicago), La Colombe (Filadelfia), Four Barrel (San Francisco), Coffee Collective (Copenhagen), Lot Sixty One (Amsterdã), Five Elephant (Berlim); tomou coragem e decidiu largar tudo pra se dedicar a sua paixão. 

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